BOLFIAR: A CEIA DO PORCO CELEBRA CULTURA POPULAR
Nov 28,2007 00:00 by RSP
Já lá vão cerca de 15 anos desde que o Núcleo Desportivo de Bolfiar decidiu não deixar esquecer o dia da matança do porco, nem a fartança dos dias seguintes. O sarrabulho comia-se logo no dia, o ensopado da cabeça no dia seguinte e os rojões pouco tempo depois. Em Bolfiar, a celebração faz-se toda no mesmo serão, para que ninguém esqueça os serões de Inverno, quando o cevado saía do curral direitinho à salgadeira.

A celebração cultural tem sido repetida no primeiro sábado de Dezembro, sempre em Bolfiar, tendo nos últimos anos estacionado na casa aconhegada do Nelson Gomes, um verdadeiro lugar de culto, que disputa ao S. Geraldo a primazia de capela mais frequentada. Em 2007, será no dia 1 de Dezembro e a ementa segue os mesmos padrões da tradição e a mesma mestria do paladar apurado pelo saber de tantas e tantas gerações.
O sarrabulho dará as boas-vindas, com a mesma sem-cerimónia com que os matadores o provavam, na bacia larga com alho, azeite, limão e uma pitada de pimenta, ainda em cima da barriga do porco, quando se virava entre duas lavadelas. Depois, o ensopado da cabeça ou cacholada, enriquecida com os tronchos saborosos de meio-sal e os ossos de assuã. Para lavar a boca, a rojoada com hortaliça.
O serão desta quadra já pede castanhas e elas lá estarão, tão quentes como os bilharacos acabados de fazer no borralho da casa do Nelson. A despedida não se faz sem cantigas porque, como diz o David Fernandes, “numa casa portuguesa, seja rica ou modesta, pode haver festa sem vinho, mas nunca vinho sem festa”.
Quem quiser ir a Bolfiar  juntar-se à celebração da matança do porco, apenas terá que avisar a organização com alguma antecedência, contactando o Núcleo Desportivo ou telefonando para 933591886 (Bruno), 935554443 (Victor) ou 938180673 (António Peralta). Pode ainda reservar lugar no restaurante Sobe & Desce ou no café Parreira.