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Instituto Profissional da Bairrada
Jan 22,2014 00:00
by
Almeida Roque (Comendador)
Quando constituí, em Oliveira do Bairro, a Fundação Almeida Roque, com o objectivo da construção do Instituto Profissional da Bairrada, houve alguns amigos (os outros, eu não estranhava) que chamaram a minha atenção, a quem expliquei as razões que me vocacionaram e assentavam em quatro parâmetros principais: Águeda já tinha uma Escola Técnica, estava muito adiantada industrialmente, em relação aos nossos vizinhos, por eu ser Cidadão Honorário daquela Cidade e Águeda fazer parte da região que deu o nome ao Instituto Profissional da Bairrada, ser também nosso objectivo a realização de uma nova forma para o ensino Técnico/Profissional, com os alunos a fazerem simultaneamente, aprendizagem Técnica e Prática. Foi uma luta constante e longa mas, finalmente, o nosso projecto foi perfilhado pelo Governo de Portugal, tendo-se deslocado propositadamente a Oliveira do Bairro, em 25/10/2013, os senhores Ministro da Educação e Ciência e o seu Secretário de Estado, para assinar o protocolo que confere ao Instituto Profissional da Bairrada o privilégio de ser considerado um Projecto Piloto para o Ensino Técnico/Profissional do País. Acreditamos que esta iniciativa, alicerçada em 70 anos de prática industrial, irá modificar a mentalidade de considerar o Ensino Profissional, até agora pouco aliciante, (quase abandonado) na melhor forma de o reabilitar, por dar ao operário possibilidades ilimitadas, permitindo-lhe a liberdade de trabalhar em grupo, individualmente ou em microempresas, familiares ou não, que serão, no mundo do futuro, que se avizinha rapidamente, a melhor forma de conquistar a liberdade pessoal e económica. Esta forma de ensino tem ainda, como objectivo, captar a aderência dos jovens pois, sendo aluno e simultaneamente operário, tem a possibilidade de receber um prémio de intervenção, o que lhe permitirá, ainda, um salutar apoio económico. Parece-nos assim, oportuno publicarmos a essência do protocolo e, se as forças vivas de Águeda estiverem interessadas num projecto parecido, terão da minha parte o mesmo apoio. E adianto até que poderíamos, eventualmente, aproveitar uma empresa que já foi importante, mas desorganizou-se e foi à falência e que, se reactivada, poderia servir para ser uma parte de um projecto parecido, que eu apoiaria, da mesma maneira que o fiz na cidade vizinha, provando, assim, àqueles que ainda duvidarem, que o grande objectivo da minha vida é servir a sociedade, onde entender que o posso fazer, com maior proveito para ela. Creio, por isso, ser oportuno publicar a seguir os fundamentos que deram origem ao projecto que fez nascer o Instituto Profissional da Bairrada. - ALMEIDA ROQUE
OBJECTIVOS DO IPB Os objectivos do Instituto Profissional da Bairrada estão definidos em 12 pontos. - 1º.-A Escola será gerida por um Director, contratado por um período de três (?) anos, renováveis ou não. Terá rigorosa contabilidade que permita a análise distinta dos aspectos mais relevantes de cada uma das secções. - 2º.-Cada uma das disciplinas será denominada Secção (com nomes a atribuir pela Comissão Pedagógica). - 3º.-Os professores serão contratados por períodos de 3/5 anos e terão obrigatoriamente de ter exercido profissão por cinco ou mais anos em empresas de reconhecida idoneidade, podendo ser reformados ou estrangeiros, pois a qualidade deve ser posta acima da própria nacionalidade. - 4º.-Cada uma das disciplinas ou secções, terá além da sala de aulas, oficina própria, na qual serão executados trabalhos profissionais destinados ao público, com custos e receitas rigorosamente contabilizados, de forma a saber-se qual é o lucro ou prejuízo em regime de autêntica iniciativa privada isto é, em regime de concorrência. - 5º.-Os operários da oficina serão os alunos da sua secção, que farão, alternadamente, aulas teóricas e de prática real, por períodos de meio dia ou dia, de acordo com o que a prática achar melhor. - 6º.-Os alunos devem ser divididos em duas partes, para que metade vá trabalhar na oficina e outra metade fique em aula alternadamente. - 7º.-Em princípio, as primeiras oficinas a funcionar, se a prática o apontar como conveniente, poderão, eventualmente, juntar os alunos de uma ou mais secções para se conseguir um melhor funcionamento. 8º.-Os alunos deverão receber no fim de cada mês, um prémio mais ou menos ( por exemplo 25/30%) do ordenado de um operário e, no fim de cada ano, uma percentagem razoável dos lucros da oficina que forem apurados em balanço, esperando que, desta forma, além do mais, ajude o aluno a ter brio pela sua Escola e pelo seu trabalho. Esta prática, para além de ajudar os alunos a obviar a algumas dificuldades familiares, obriga-os a colaborar com muito mais espírito profissional e com certeza aliciará no País, muitos milhares de formandos e evitará muitos cursos sem aplicação prática, que tanto têm prejudicado a Sociedade! - 9º.-A distribuição de uma parte do lucro, fá-los-á ter uma maior noção de responsabilidade na sua intervenção no fabrico e aliciá-los-á para despertar o seu sentido de economia, aguçando-lhes também, o desejo de virem a ser, futuros empresários de que o País muito vai necessitar se quiser modificar a sua trágica situação económica. - 10º.-O Instituto Profissional da Bairrada criará uma disciplina com essa importante finalidade (formar empresários) pois, já no momento actual mas, muito mais no futuro, serão de capital importância para a economia, se o Estado (como vem fazendo) não asfixiar a iniciativa privada, sobretudo as pequenas e médias empresas, fazendo com que os empresários trabalhem apenas para pagar impostos e juros de empréstimos bancários! - 11º.-O ensino deve ser pensado e ministrado com dois objectivos principais: a) Prover antes de tudo o aperfeiçoamento moral do aluno pois, sem dignidade, não haverá profissional capaz. b) A vertente técnica deve ser ministrada com a teoria necessária mas «aprender fazendo» é a melhor maneira de ser um técnico completo e ter assegurado um emprego bem remunerado. - 12º.-É minha opinião que a maior virtude de um formador será a de ser capaz de incutir nos seus alunos a convicção de que é obrigação, de todos nós, fazermos tudo o que for possível para, com a nossa acção, construirmos uma Sociedade melhor. Para conseguir este objectivo, o aluno deve ser aliciado para uma mentalidade ousada, criativa e inovadora! n AR
- PS: Em relação ao nº. 10, “os últimos meses do actual Governo parecem dar-nos a esperança da correcção desta orientação". - AR
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