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Assim vai o país…
Dec 04,2013 00:00
by
Almeida Roque (Comendador)
Destes últimos dias, destacamos três ou quatro factos em que a falta de um mínimo de bom senso e ausência de vergonha, da grande legião dos que esquecendo o país que trabalha e sofre, para eles viverem a passar o tempo a insultarem-se mutuamente, esquecendo o respeito e os deveres jurados ou inerentes à sua posição. n AULA MAGNA: Comecemos por aquela insensata reunião da Aula Magna, cuja plateia era constituída por homens bem maduros (para lhes não chamar velhos) que, esquecendo a sua obrigação de serem exemplo de ponderação e concórdia, caíram na mais cruel vergonha, enxovalhando a democracia que babam, apregoando-a constantemente, apenas por conveniência. Aquela pobre gente, ricamente vestida, como é timbre da maioria dos que clamam a doutrina na rua, mas não a praticam em casa, ao menos por uma vez foi coerente e disse o que fizeram: Que a democracia, para eles, não passa da escada de que se serviram para alcançar o poder. n POLÍCIAS: Depois, uma multidão de polícias, derrubando as barreiras que vedavam a entrada à Assembleia da República, guardadas por outros polícias que, cumprindo o seu dever, foram enxovalhados pelos seus pares. Pelo respeito que me merecem as polícias que representam a ordem, continuo a pensar que aquele bando de punho cerrado, entoando o debotado slogan “Povo Unido”, foi invenção daquela “tal sindical” que, para este fim, aliciou ou fardou alguns, para enquadrarem aquela farsa. Chocante é, também, o comentário da Presidente da Assembleia da República que, pelas frases empregadas para comentar a situação, e pela displicência e modo, parecia falar de qualquer vulgar incidente. n ORÇAMENTO: A discussão do Orçamento do Estado atingiu os níveis mais baixos a que pode descer. A diferença de opiniões entre gente que se pensa civilizada, transformou-se num palco onde campearam as mais despudoradas e premeditadas mentiras da oposição, que mais tempo tem governado e teima em prometer o que sabe não ser possível, na actual situação económica do país, naturalmente com mágoa de todos nós. Não procurou discutir e criticar seriamente, nem apresentar alternativas credíveis mas, ao contrário, vimos um espectáculo dolorosamente baixo, sem qualquer credibilidade, visando apenas o VOTO, que lhe daria o poder. Mas nós sabemos o que se tem passado em Portugal e com os nossos vizinhos espanhóis e franceses: todas as vezes que tem tido o azar de ter governos socialistas, ficam na penúria económica e tem de dar o voto a um Governo que normalmente chamam de Direita, para repor o equilíbrio. A restante oposição utiliza os argumentos de sempre, ainda com mais gravosos objectivos oferecendo tudo, de nada que tem para dar. n GOVERNO: E o Governo é santo? Em nossa opinião, como já várias vezes fizemos sentir, tem seguido em algumas direcções erradamente, mas temos de reconhecer as condições em que tem governado e as dificuldades que lhe tem sido criadas, por se ter envolvido em causas do interesse do país (como a remodelação dos serviços públicos) e servem para marcar uma inquestionável diferença. Enquanto as oposições, descaradamente, fazem a caça ao voto, o Governo vai tentando realizações meritórias (embora tenha esquecido as mais importantes) que, são passíveis de fazer diminuir a arca onde se arrecadam os votos, mas faziam parte do seu programa e que alguém terá que fazer se quisermos sair da crítica situação em que nos encontramos. n PROFESSORES: Profissão pela qual temos o maior respeito, não se entende que eles (cuja missão é ensinar e avaliar) tenham preconceitos de serem avaliados, num tempo em que a EVOLUÇÃO é, no mundo contemporâneo, a palavra de ordem! É um dever e não um capricho do senhor ministro querer saber, e dar a saber (pelo menos a quem governa), a qualidade dos nossos professores, pois é a eles quem cabe a honra, mas também grande parte da responsabilidade pelo futuro do país. Omitir essa responsabilidade. seria trair-nos a todos. Avaliar, não quer dizer enxovalhar ou despedir, pois deve ser entendida como um acto de gestão. Numa sociedade que se renova diariamente, todos temos o dever de nos dispormos a participar, sob pena de trairmos o nosso dever. Nas empresas, os gerentes têm de identificar a qualidade dos seus colaboradores, porque isso é indispensável às suas inovações e, por essa razão, se inventou a formação contínua, na qual os professores devem estar em primeiríssimo lugar. É uma inovadora cruzada patriótica que merecerá, estamos certos, o apoio dos bons professores. Conhecemos o suficiente do Senhor Ministro, para afirmarmos a sua capacidade profissional e superior estatura humana, garantia de que a sua actuação é, objectivamente, servir o país. E porque o ensino é estruturante e transversal à sociedade, tem de acompanhar a evolução do mundo, ser rigoroso e moralmente exigente. Os professores tem obrigação de dar aos seus alunos exemplo de moderação e dignidade. - ALMEIDA ROQUE |