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Carta ao director, SP anos 70!!!
Feb 20,2013 00:00
by
Armor Pires Mota
Reforço os parabéns pelos 135 anos da nossa Soberania. E digo nossa, porque é também um pouco de mim. Não enjeito o passado, nem esqueço o grande número de amizades que fiz. Quero manifestar-lhe a minha gratidão pelo facto de me ter integrado na história da SP. Teve a coragem que não vi anteriormente, em nenhuns outros. Manda a verdade que se diga que não me vejo sozinho na recuperação de um jornal moribundo, de quatro páginas, apenas. É evidente que tive a sorte de encontrar um grupo de jovens, que entendeu um projecto que passava por dinamizar o semanário através da aproximação às terras. Trabalhos de reportagens que eram feitos aos fins-de-semana, por vezes após um joguinho de futebol na Casa do Adro. Por vezes, depois de um lanche com boroa e azeitonas, que a minha mulher levava. Era um grupo muito diversificado, até ideologicamente e na questão temperamental - o Celestino, o Fernando, o Zé Carlos, Diamantino, Zé Neves, Quim Almeida, João Armando, Filipe, Salvador. O que fizemos para recuperar, e como fizemos, está bem à mostra no período entre 1970 e 1973. Entrámos a preto e branco, com tiragem de menos de mil exemplares, e saímos a cores, com mais de 4 mil, com 4 vezes mais páginas, por vezes mais, e sobretudo com uma equipa de colaboradores, então muito jovens, que ainda hoje fazem a sua perninha. Fruto do vício incutido. Creio, sem falsas modéstias, que a grande arrancada para salvar a SP do naufrágio em que havia mergulhado esteve aqui. Não por mim, sozinho, mas por uma junção de circunstâncias várias. Depois, a partir de 1975, em pleno tempo quente, prestava a minha colaboração semanal, tão agreste que hoje me admiro que nunca tenha sido incomodado, mas, se calhar, não escaparia à fuzilaria do Campo Pequeno, se não fossem Ramalho Eanes e Jaime Neves. Isto, para concluir que a SP também se entranhou na minha vida. Agradeço-lhe não apenas este gesto (gratidão é o gesto que gosta de praticar) mas o convite para o jantar, que, pelo que eu dou agora ao jornal nem sequer mereço uma sopa… Parabéns, também, pelo estatuto alcançado, o de Património Cultural de Portugal. Bem haja, por tanto. Um abraço do Armor CARTA DO DIRECTOR Meu Caro Armor:
Mais que estar consciente do excelente trabalho que, a esse tempo, o senhor e essa extraordinária equipa prestaram à Soberania, é ter a consciência que, na maioria das vezes, os grandes obreiros ficam no anonimato para não ensombrarem os… outros. Enfim, é o mundo! Na choupana onde fui gerado e criado, o princípio sempre foi o seu a seu dono. As guerras são ganhas à custa dos sacrifícios de muitos e raramente os que tombam no campo de batalha entram na história, mas eles são a essência da própria história e, quem não honra a história, não é digno dela: vocês são a história! Cumprimentos. António A. Silva
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