Assalto aos trabalhadores e reformados
Sep 19,2012 00:00 by António-Silva
Lembram-se? Desde há aproximadamente  sete anos que bato na tecla da má governação.
Vigarices com protecção do poder, gastos públicos descontrolados, jogos de influência a favor dos correligionários, exibição de fortunas sem base justificativa, nulidades com ar de intelectuais, mediocridades nos meios decisórios, etc., etc., etc.
Tudo isto, eu prognostiquei e denunciei em tempo, mas era “malhar em ferro frio” e, já cansado, desisti e esperei para depois das eleições. Elas trouxeram mudança e eu fiquei na expectativa de ver o que fariam os novos senhores do poder. Mas os eleitos não tardaram muitas horas a desonrar os compromissos assumidos com o eleitorado, em campanha leitoral (as promessas de campanha não são para cumprir, onde é que eu já ouvi isto?), e as expectativas deram lugar à desilusão.
Os agora empossados depressa meteram os pés pelas mãos e fizeram corar de vergonha os que acreditaram neles, deram a cara por eles e pontuam a sua vida pela honestidade, que é o que os senhores do poder já perderam, se é que alguma vez tiveram.
Ainda assim, esperei mais de um ano, dando-lho o benefício da dúvida, mas as últimas tomadas de posição do PM (governo) fizeram verter o copo, por indigna e controversa que é esta governação. Apesar do desnorte que assolou o nosso país durante décadas, nunca a ousadia foi tão longe!  
Eu continuaria calado, na esperança de que a minha ignorância não alcançava os objectivos visionados por eles, nas desmesuradas medidas que iam castigando este povo. Mas eis que, de repente, sai da cartola desses imberbes uma atoarda de deixar estonteante o país inteiro.
Porque está em causa a dignidade humana, o mais alto valor de uma sociedade que se quer civilizada, é preciso reagir e, nestes momentos, compete, a todos os que têm responsabilidades sociais bastantes, pronunciar-se com o vigor possível, em defesa dos mais fracos e contra os abusos de quem detém o poder, dizendo-lhe, “basta”!
E porque me sinto nesse grupo, logo actor neste palco de uma sociedade, a nossa, que é vilipendiada pela opressão económica e tudo o mais que se desenha sobre ela, decidi dar a minha achega e apoio às mais que justas reivindicações das últimas horas, em que se fizeram ouvir clamores dramáticos de famílias desesperadas, angústia de um povo que está a ser tratado como lixo.
Aplaudo as manifestações de repúdio por um governo que se diz social e nos suga até ao tutano, espezinhando e condenando a uma escravatura hedionda os seus súbditos, até atirar uma população inteira para a miséria, deixando sem futuro uma geração.
O salário mínimo é uma vergonha nacional, mas felizes daqueles que ainda o recebem. Porém, como se não bastasse de sacrifício terem que viver com tão pouco, quase sem nada, preparam-se leis para tirar a esses infelizes mais 7% no parco ordenado. E para quê?
Para repor o roubo que os governos fizeram à Segurança Social. Dinheiro que era dos trabalhadores, sagrado, mesmo nos governos de Salazar!
E o escândalo é maior quando pretendem roubar aos trabalhadores para dar às empresas, através da TSU, com o argumento da competitividade. Eles são do mais incompetente que já vimos!
Nunca me imaginei a viver num País governado por gente de tão baixo calibre de competência, que perdeu, se alguma a vez teve, a vergonha e o respeito por si próprio e pelos cidadãos com mais fracos recursos.
Dizem eles, os governantes, que estão credenciados pelo voto popular. E é verdade. Mas chegaram ao poder enganando os eleitores, ao prometer-lhes o céu, para lhes darem o inferno!
Com as suas promessas, assaltaram o poder pela via legal, mas os ditadores mais tenebrosos da humanidade também chegaram ao poder pelo voto popular e legal. Mas nem isso legalizou as atrocidades e os crimes que cometeram!
Sabemos que temos sacrifícios pela frente. Mas o mínimo que se pode exigir de quem tem a nobre missão de governar um povo, é respeito por todos e protecção aos mais fracos.
Quanto às empresas, deixo para os nossos governantes a cartilha de um aluno da primeira classe, que indica os principais fatores de influência da competição:
1º.- Energias (electricidade e combustíveis) a preços competitivos, sem estarmos sujeitos às arbitrariedades desses cartéis protegidos pelos governos.
2º. - Clareza nas leis com justiça e celeridade na sua aplicação, sem influências governativas.
3º. - Bancos com regras bem definidas, impostas por governos sérios, que visem o interesse nacional, não uma banca “a la carte”, agiota e oportunista.
4º. - Estabilidade social dentro e fora das empresas, com papel preponderante das associações de classe e do governo na justeza e direito ao trabalho.
5º. - Empresários dignos do estatuto, não aventureiros saltimbancos.
A fórmula é simples e só não é aplicada porque alguns governos se põem de cócoras perante os grandes, espezinhando a incansável formiguinha:
Pobre País, o nosso, com esta pobre gente!
2012-09-19
n  a.silva