Liberdade aos eucaliptos
Jul 18,2012 00:00 by António-Silva
Nem mais nem menos.
É assim que aparece a notícia, em alguns diários de segunda-feira!
As empresas de celulose estão à beira de ganhar uma batalha de muitos anos, batalha que os governantes conscientes, sensíveis, com respeito pela natureza e essencialmente sérios, enfrentaram sempre, limitando e travando o poder das celuloses. Tudo isso foi há muito tempo!
Finalmente, os gigantes do papel vão ganhar essa guerra, em consequência da confrangedora irresponsabilidade de governantes que se vergam ao poder do vil metal. Porquê cederem a tal barbaridade?
“Veja-se quem comanda essas empresas de celulose e percebe-se o resto”!
 Fazem todos parte do mesmo cartel e comem todos no mesmo gamelo, mas se não se evitar esse crime, podemos muito estar a assistir ao início do fim das árvores autóctones: castanheiros, carvalhos, azinheiras e pinheiros bravos, característicos do mediterrâneo, e os sobreiros, estes dependendo só da diferença de peso político entre celulose e corticeiras, já que os ambientalistas do governo são letra morta!
Quem ganhará, não sabemos, mas quem perde, seremos todos nós e, essencialmente, as gerações futuras, a quem vamos deixar, como herança, um país a caminho da desertificação.
Se não houver o bom senso e a coragem de travar essa ultra-liberal medida, fica o caminho aberto ao plantio dessa espécie em terrenos férteis de pastos, searas, arrozais, milheirais, leguminosas e vinhas, desde as planícies alentejanas ao vale do Sado, Vouga, Águeda, Lima, Mondego, etc., etc.,
As consequências serão devastadoras. Não tarda, teremos eucaliptos na horta e passaremos a comer saladas de folhas de eucaliptos, em vez de alface, e, numa terceira fase, substituiremos as galinhas, os coelhos, as vacas, as ovelhas e os porcos, por coalas, cangurus e preguiças.
Não menos mau que tudo isto, é o envenenamento do ecossistema, provocado pelas celuloses, que contribui e acelera a degradação do planeta.
A ciência sabe que, para fazer 40 kgs. de papel, a partir do eucalipto, é necessária uma árvore que, por sua vez, necessita de 800 a 1000 litros de água por ano, durante o ciclo de crescimento -  que é de dez anos. E cada tonelada de papel consome 100.000 litros no processamento.
 As nascentes vão secar, os ribeiros vão desaparecer e a vida na Terra vai ter uma mudança radical, se não se parar com estes crimes ambientais
 A indústria do papel é a quinta mais poluidora do planeta Terra, lançando para a atmosfera monóxido de carbono, amónia, metanol, clorofórmio com traços de mercúrio e, em menores quantidades, outros ingredientes, tais como gás sulfídrico, ácido nítrico, ácido clorídrico e muitos outros, todos eles perniciosos e causadores de doenças cancerígenas, alterações hormonais e neurológicas, diabetes e enfraquecimento imunológico.
Estes crimes, têm cumplicidade, por inação, dos néscios governantes deste país, que permitem aos grandes empórios olhar apenas para o lucro, numa confrangedora falta de respeito pela natureza e como se isto fosse apenas selva,sem nunca serem responsabilizados pelos seus crimes.
Isto é mesmo terceiro-mundo!  
n a.a.silva - 2012-07-16