Águeda: Árvores no chão e em silêncio
Jul 18,2012 00:00 by RSP
As árvores da avenida foram abatidas, em nome de um projecto de regeneração urbana assumido
contra a voz do povo, dos comerciantes e moradores da alta da cidade.
Caíram. Foram derrubadas e foram embora na manhã de um sábado que desnudou a vontade popular e fez chorar quem as amava. Quem entende que uma árvore não se abate. Muito menos dezenas de árvores.
O mesmo já acontecera na Praça António Breda. E no parque da Alta Vila, onde árvores centenárias foram cortadas, em nome do cimento que
arma o progresso, mas ignora a história e o ambiente. E no jardim
Conde Sucena, que ficou depenado e sem sombras. Ou na Praça da
República, transformada em empedrado, sem graça e utilidade, qual  eirado de secagem de cereais. Ou depenicadouro de aves. O governo que se prometeu do povo «ficou-se», apenas, pelos gabinetes políticos e arquitecturais, confiscando-lhe o seu direito de opinião, de sentimento e de gosto. Ficou a saber-se, se não se soubesse, que em política, em Águeda, faz-se o que se quer (quando se quer) e diz-se o que convém, no momento em que tal mais interessa.
O progresso, bem se sabe, faz-se de rupturas. Não combina com o
imobilismo e a inércia. Mas precisa também de valorizar o passado, a
história, o ambiente e a sensibilidade do povo. Não pode ser, nunca, resultado de autocracias, por muito que estas se “justifiquem” na democracia de forma. Não a de facto.