Obter biodiesel de algas e microalgas
Jun 13,2012 00:00 by RSP
O presidente da Junta de Fermentelos, Carlos no Lastro,  acompanhado de outros  próceres da terra, organizados em lobby, entusiasmados, vieram em caravana ao Clube da Venda Nova para um encontro com o Executivo.
“Nós, na realidade, somos figuras de proa do movimento e se resultar, como pensamos, chamaremos a atenção de toda a gente da região, do país e até do estrangeiro”.
O Gil Pedalais, atrás da secretária de pau-santo, mostrava curiosidade: “O que é que é assim tão importante?”.
“O que propomos vai ter um impacto muito grande para a Pateira e para as terras vizinhas que se transformarão em urbes grandiosas, povoadas de magnatas e argentários – explicou o Prof. Laranja Pires – vão ser rasgadas avenidas, construídos hotéis e casinos e até universidades”.
“Vão perder o sossego!”, observou o João Piedoso.
“Mas vai valer a pena – continuou o Laranja Pires – como é sabido, os combustíveis fósseis que derivam do petróleo estão a faltar, os preços são proibitivos e isso levou a que se fizessem grandes investigações para se descobrirem sucedâneos”.
“Depois de aturados e exaustivos estudos – continuou o Dr. Nuno Cuca – descobriu-se o chamado biodiesel que resulta da destilação do milho, trigo, aveia, beterraba, alho porro, etc., mas não pode abusar-se, se não deixa de haver pão!”.
“Agora, dois cientistas da Universidade de Aveiro dedicaram--se ao estudo do problema e descobriram que se pode obter biodiesel de algas e microalgas",  acrescentou o Laranja Pires.
“Assim que soubemos, imediatamente pensámos que tínhamos uma verdadeira fortuna em casa – interrompeu o João Manso – porque temos a Pateira cheia de moliço, de jacintos, de micro e de macroalgas que podem fornecer toneladas de combustível!”.
“E têm enorme poder de lubricidade porque são constituídas por carbono puro, têm origem renovável, ao contrário do combustível fóssil”, esclareceu o Laranja Pires.
“A ser verdade – disse pensativo e ponderoso o Gil Pedalais – não só constituiria uma enorme fonte de receita, como seria uma maneira de limpar a pateira, rios e ribeiros e dávamos que fazer à ceifeira!”.
”Vamos a isso – disse com convicção o Jorge Enfermeiro - o melhor é começar já a procurar terrenos para instalar refinarias e postos de abastecimento”.
“E, já agora, tem que se dragar o rio para os petroleiros poderem passar – observou a Excelsa da Corga – o Cais das Laranjeiras dá um óptimo porto, sem perder o romantismo!”.
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A Céu Rinodente entrou de rompante na Trigal, aproximou-se do balcão com cara de poucos amigos e, com acrimónia, chamou o Sr. Joaquim, com um gesto brusco e disse:
“Quero aqui o livro de reclamações!“.
“Mas  porquê? - perguntou o Joaquim da Trigal, surpreendido – não me diga que o pão de água estava seco!”.
“Não, não é nada disso – retrucou a Céu com nervosismo – anunciaram a venda de sardinhas, mandei cá buscar meia dúzia e uma broa e, quando fui a ver, a broa era salgada e a sardinha era doce!”.
“Ó mulher, aquilo parece uma sardinha, com olhos e tudo, mas é um doce com creme de pasteleiro e as tripas são de chila! Como é que eu ia vender sardinha numa pastelaria?!”.
“Ora essa! - exclamou a Céu – então vocês não vendem leitão?”. E saiu, sem fazer a reclamação.