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O sobreendividamento e a economia doméstica
Jan 18,2012 00:00
by
Cristovão Leal
O número de famílias sobreendivi-dadas bate, diáriamente, recordes históricos. O Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) da Associação de Defesa do Consumidor (DECO), só em 2011, recebeu 23 318 pedidos de ajuda, o que representa mais 60,4% face aos 14 532 contactos registados em 2010. Como evitar esta situação? Em primeiro lugar, o consumidor deve manter-se a par das suas despesas, com um controle apertado do seu orçamento familiar (ver SP de 29 de Dezembro de 2011). O segundo passo a dar, será calcular a sua taxa de esforço. A taxa de esforço não é mais que a percentagem dos seus rendimentos mensais, que é utilizada para encargos de créditos (habitação, carro, pessoal, etc.). Ou seja, se ganho 1.000 euros e tenho um encargo fixo de 600 com a casa e o carro, a minha taxa de esforço é de 60%, o que não será muito saudável. O patamar ideal de taxa de esforço, cifra-se entre os 30 e 35%, o que nos permite encarar as nossas despesas com a educação, saúde e alimentação, fundamentais para a nossa qualidade de vida, com um razoável grau de segurança. Se a sua taxa de esforço estiver a rondar os 60%, estará já numa situação alarmante e carecerá de ajuda. Caso esteja nesta situação, reaja o quanto antes, pois situações de sobreendividamento têm tendência a agravar-se, se nada for feito. Contacte as entidades com as quais têm dívidas e exponha a situação. Embora possa ser confrontado com alguns entraves, nenhuma entidade estará interessada na insolvência dos seus clientes. A sua falência é, também, um prejuízo para os credores e, por isso, a resolução sustentada do seu problema é importante para ambas as partes. Jogue com isso. Dependendo da situação, procure negociar pagamentos com prestações mais baixas, podendo mesmo compensar com o aumento dos spreads. Se a situação de sobreenvididamento, se deve aos múltiplos créditos, opte por fazer um crédito consolidado. O crédito consolidado, consiste na junção de todos os seus créditos a uma só entidade credora (banco, por exemplo). Isto permite-lhe baixar as suas prestações mensais de imediato, terá menos credores e irá dar-lhe uma melhor gestão dos prazos dos seus pagamentos. Em caso de dívida com o Estado, tente negociar a dívida em prestações mais baixas (mas com aumento do juro), ou utilizando o reembolso do IRS directamente no abatimento da dívida. Até à próxima e boas poupanças! n CRISTOVÃO LEAL lealcristovao@gmail.com |