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Façamos um referendo!
Nov 09,2011 00:00
by
RSP
Numa reunião informal e casual de políticos heterogéneos, de várias tendências, o Gil Pedalais queixava-se com indignação lamurienta: “Estou a ficar saturado das arremetidas contra o Clube, com discursos ocos, acintosos, estéreis que em nada contribuem para o desenvolvimento da cidade”. “Mas por que é que diz isso?”, perguntou a Paula Garboso. “Tivemos mais uma assembleia e os chamados deputados vão para lá só para dizer aleivosias em devaneios linguísticos e não dizem nada de novo”. “Mas o exemplo vem de cima, na assembleia de Lisboa ainda é pior, passam o tempo com trocas de mimos e também não discutem nada de substancial”, observou o Manuel Farás. “E nesta ainda se falou do comboio de Vale do Vouga...”. “E num assunto de extrema importância social, técnica, política e étnica, com implicação na vida das pessoas que é o feriado municipal”, opinou Nair do Barrete, meneando a cabeça. “Mas já está estabelecido na consciência e no imaginário de todas as pessoas que o feriado municipal é no dia de S. Geraldo e não vale a pena falar mais disso – acrescentou, peremptório, o Gil Abredepois “Pois eu acho que devemos falar, esta questão merece reflexão, porque ninguém sabe quem foi o S. Geraldo, que milagres é que fez e, se os fez, não foi em Bolfiar nem no Souto Rio. Bolfiar é que se aproveita e é que se enche de milho!”, asseverou o Pelé Bancário. “Também concordo – acrescentou o Deniz de Bouquets - se nos debruçarmos na exegese dos livros e nos documentos de arquivo que se referem a Águeda, não encontramos lá nenhum S. Geraldo com grande influência. É certo que aparece nos escritores da cidade, quando falam em festas e romarias...”. “Festas são festas, o feriado tem que consagrar um dia de unidade e exaltação da cidade, como o 27 de Janeiro, que é a Batalha das Barreiras, ou o dia da elevação de Águeda a cidade”, acrescentou, elevando a voz, o Celestino de Almada. “Acho brilhante a ideia, aceito-a e defendo-a, mas só se essas datas calharem em Junho, na segunda-feira de S. Geraldo”, concluiu o Seara Alheia. “Isso não deve ser possível”, retrucou a Nair do Barrete. “Eu propunha que se desse a palavra ao povo. Façamos um referendo!”. * * * A drª. Luisinha do Mel entrou no Zé do Candeeiro, que estava sentado ao computador, a receber uma encomenda de feijão carrapato por e.mail e, visivelmente indignada, increpou: “Vim aqui ontem, comprei-lhe dois melões, que me custaram um dinheirão. Fui para casa, abri um, aquilo não era melão, era abóbora! Para o aproveitar, tive que fazer uns bilharacos. Mas o melão era tão fraco, que até ficaram azedos! Trago-lhe aqui o outro, devolva-me o dinheiro. O Zé levantou-se, mostrou um ar espantado e respondeu embaraçado e titubeante: “Ó diabo, então não era bom? Pôxa, eu fui buscá-los a Almeirim, só se me enganaram... eu estive muito tempo no Brasil, não havia lá melões... O Brás dos Kiwis, que estava nas traseiras a beber um branquinho, ouviu a conversa e escreveu este inspirado poema: Os melões eram tão fracos Que a Luisinha do Mel Fez com eles uns bilharacos Que ficaram azedos como fel! E o Zé do Candeeiro Que é um grande forreta Teve que lhe devolver o dinheiro! E o resto é treta! |