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Contra factos, não há argumentos
Nov 09,2011 00:00
by
Luisa-Mello
“500% de subsídios políticos à energia eléctrica. 747 milhões de euros às renováveis. 1,075 milhões às centrais fósseis”. Transcrito de uma notícia de televisão sobre particularidades do anterior executivo. Subitamente, lembrei-me daquele pantagruélio e quilométrico almoço que inaugurou a Ponte Vasco da Gama, lá para os idos da década de oitenta. Estava dado o mote: coma agora e pague depois. O consumismo tornou-se doutrina económica. Portugal era um país rico e feliz e todos abancaram. Comia-se lagosta como entrada nos restaurantes mais “in”, arroz de tamboril ou de marisco puro e duro era banalidade nos outros. Moradias sumptuosas surgiam nas montras das revistas da moda e das modas, a escancararem-se aos olhos dos menos gulosos. Os ginásios para o culto da aparência surgiram como cogumelos e a aparência vinha acompanhada de carrões de luxo, de onde os proprietários só desembarcavam… para ir ao café mais próximo. Os fins de semana no Algarve eram para os mais desabonados destes comensais. Para as Maldivas, para as Caraíbas, para a Indonésia, para o Tibete, constavam do menú regular dos ricos, novos-ricos, aparentemente ricos. O último grito de todas as electrónicas andava pelos quartos de dormir , salas e bolsos de jovens e maduros. Televisão era para os pindéricos. Os cabos para os mais evoluídos. Portugal desforrava-se. Tirava literalmente a barriga de misérias. O pior, em forma de factura deste lauto banquete, surgiu quando a dona da festa, Europa chamada, exigiu a conta. Alto e pára o baile! Muitos anos de folia e cá estamos nós, como era de nosso natural: sem recursos, a bater a bola baixinho, no rescaldo de uma digestão laboriosa, dificil, cheia de dores e azias. Não quero dizer com isto que o acesso ao melhor não deve ser uma oportunidade para cada um. Só que qualidade e quantidade, às vezes, são opostas. A sofreguidão consumista devia fazer parte do rol dos pecados. Ter mais olhos que barriga acaba por estragar barrigas e olhos. A facturazinha chega mais cedo ou mais tarde, às vezes embrulhada na saúde física ou psicológica. Devíamos ter maneirado, com os governos a dar o exemplo! Assim o fizeste? Viu-se… Não falo - por enquanto! — deste Governo, que por mais liberal, despesista, desvairado que fosse, não poderia, em apenas três meses, levar esta banca à glória, tal como está, ainda por cima acossado pela troika que o visita para acertar contas em prazos tão curtos que é bem provável que alguns detalhes tenham sido feitos em cima do joelho. Sempre ouvi dizer que as cadelas apressadas têm filhos defeituosos… Agora: não me apercebi se Dias Loureiros, Jorges Coelhos, Isaltinos Morais, Armandos Varas e outras comanditas, entram ou não no rol dos “descamisados”. Se não entram, DEVIAM, e é bom que alguém comece a pensar nisso! E as subvenções vitalícios de políticos retirados (e activos noutras áreas…)? Como é? Mudem-se as leis! Não há coisa mais indignante que um sentimento generalizado de injustiça! n LUISA MELLO |