Recardães: Orfeão na Galiza Espanhola em Nossa Senhora das Ermitas
Oct 13,2011 00:00 by ES
O Orfeão da Associação Cultural de Recardães ofereceu um concerto, no dia 1 de Outubro, na igreja do Santuário de Nossa Senhora das Ermitas, na Galiza.

O coro visitou o lugar e cantou neste templo barroco pela segunda vez. O convite foi do Coral Polifónico CANDEA e da Fundación Nuestra Señora de las Ermitas. Além de devoção mariana, na base desta iniciativa de convidar um coro português, para abrir os festejos outubrinos em honra da Virgem, esteve o firme propósito – e ingente tarefa – de criar condições para suster a ameaça de derrocada. É que  Santuário do século XVII - com o templo e outras construções (administrativas e residenciais) contíguas – está alcandorado na íngreme e escarpada margem direita do rio Bibei. E já em 2002 se abateu um dos edifícios. O que explica o reaparecimento da Fundación, «activa e em funcionamento legal desde 2007», desde 2010 considerada «de interesse galego», e agora secundada por uma correlata “Associación Nª Sª de las Ermitas”, recém-criada para permitir a participação mais ampla de crentes e amigos do património galego (a Associação de Recardães logo ficou sócia, com cota anual de 6€...).
A participação do coro recardanense, fazendo o concerto de música coral e aliando-se à causa daquelas instituições contra o avanço da deterioração do Santuário, explicam o carinhoso destaque que lhe foi dado, os aplausos emocionados vindos das três naves, o agradecimento sublinhado pelos responsáveis da Associação e da Fundação e pelo pároco. Este, presente e solícito desde o começo, mostrou viva gratidão, declarando à puridade que, se aquela igreja estava cheia, com gente vinda de vários lugares de Espanha, isso se devia ao coro lusitano! Lisonjeiro e hiperbólico? Efectivamente, este movimento a favor da preservação do singular (e “insubstituível”…) Santuário barroco, com a iniciativa da presença do coro de Recardães, tinha sido publicitada, pregada, na zona e até bem mais longe.
Já no regresso, a pausa feita por alturas de Pedras Salgadas havia de cifrar-se surpreendente e espontaneamente rica em arte e fraternidade. No pequeno café do Parque, o Diogo descobriu um piano… sonolento e escancarado. Atreveu-se a roubar-lhe algumas notas. O que logo acordou a pacatez turística e termal. Juntaram-se curiosidades, ergueram-se vozes… E assim nascia um miniconcerto. Inopinado. A invadir subitamente a sesta de frenético entusiasmo. A alongar o abraço fraterno…da música. n ES