Há buraco na Madeira
Sep 28,2011 00:00 by António-Silva
Há buraco e o bicho corrói até às entranhas.
No caso, corrói a Madeira, por dentro e por fora, e causa uma forte dor de cabeça à República, pela falta de rigor nas contas por aquelas bandas.
Mas não foi só por causa das contas insulares que a troika aterrou em Portugal. Antes de tudo, pelas contas deficitárias do continente, onde se gastou à farta e sem quaisquer dores de cabeça, pela simples razão de que quem por cá reinou sabia que, após o seu tempo de desastrosa governação, perderia o gamelo em São Bento, mas ganharia um tacho numa grande empresa, de preferência pública ou semipública, daquelas que, do poleiro, beneficiou.
Em alternativa, rumam a Paris, New York ou Londres, para desfrutar, como lordes, os prazeres da vida.
Infelizmente, nesta república das bananas, há falta de rigor, mas abundam as falcatruas, que passam sempre incólumes. Lá como cá, diz o povo!
Só que lá, ao contrário de cá, parece não ter havido proveito a favor do responsável da governação. Apenas habilidades processuais, a benefício da região, embora num descarado desrespeito pelas leis da república, crime que, por si só, merecia punição exemplar em qualquer País civilizado, mas, neste terceiro mundo, os exemplos são péssimos, pelo que não há castigo para ninguém.
Nas circunstâncias e não morrendo de amores pelo rei momo das Ilhas, e por conhecer bem a região desde muito antes e durante do consulado “jardineiro”, não me restam dúvidas que ele é malcriado, faz de palhaço e, com insolência, trata os portugueses do “contnente” de cubanos, num perverso insulto a Portugal e a Cuba. Mas foi assim que, perante a passividade dos néscios do governo central e num desprezo total por nós, que pagamos impostos, levou a água ao seu moínho e fez da Madeira uma terra airosa e limpa, implementando um turismo de alta qualidade. Parabéns, excelência!
Também a mentalidade da região cresceu e o nível de vida dos insulanos melhorou consideravelmente, ultrapassando a média nacional, apesar de haver ainda por lá muitas bolsas de pobreza, que urge corrigir.
Há casos de três famílias, num total de onze pessoas, a viver num exíguo apartamento, a disputar o mesmo espaço para cozinhar e a comerem no quarto, sem mesa de apoio às refeições, à falta de outro espaço.
Entretanto, gastaram-se milhões em piscinas que estão encerradas e marinas onde nunca entrou um barco e até um heliporto que nunca funcionou!
Em verdade vos digo que, apesar dos erros, houve muitas obras a merecer nota positiva!
Mas as artimanhas com despesismo que alimenta as clientelas, partidárias ou não, devem ser erradicadas, não só das administrações, mas de toda a sociedade, mesmo que os prevaricadores que prejudicam o interesse público tenham que ir para a cadeia. Para exemplo, começar pelos “puritanos” de São Bento, que têm os armários cheios de esqueletos, os esqueletos que são a origem de ingerência estrangeira nos nossos assuntos internos, e já não é a primeira vez na nossa história, a fim de pôr ordem na casa e, na linha, os meninos mal comportados que somos.
Quando é reconhecida a nossa incapacidade, somos entregues a uma tutoria que nos governe: Vergonha!
Durante trinta anos, a República submeteu--se ao todo poderoso madeirense, de nada vale virarem agora virgens púdicas porque o homem fez o que bem quis durante esta trintena, enquanto a AR assobiava para o lado. Palmas para o rei momo que, com “muita pinta”, fintou a incompetência que se coça naquelas cadeiras e embalou o palácio de São Bento no canto hipnótico das ninfas da Ilha.
A Madeira está em processo eleitoral e apesar de, como português e cidadão, não concordar com as habilidades e o estilo de soba, usado localmente, eu, se vivesse lá, com as permissivas da lei da República, votava na continuidade, sabem porquê?
Porque, apesar de por lá haver ainda quem viva no limiar da pobreza, há trinta anos não era só pobreza, era miséria o que grassava naquela ilha tocada pela providência e envolta num deslumbrante manto de beleza natural, mas que escondia nas suas entranhas muita degradação humana.
O quotidiano era uma vida escassa, feita de uma pesca ribeirinha, pouco mais que artesanal, uma penosa agricultura de subsistência e uns originais bordados vendidos na baixa do Funchal!
O turismo era uma actividade ainda em gestação muito insípida, que atraía visitantes, alguns indesejáveis que, conhecendo a pobreza, pouca formação e o modo de vida do povo madeirense, pervertiam-no bem cedo, procurando na sua miséria e ignorância, presas fáceis para as suas orgias. Felizmente que muita coisa mudou!
A par do progresso no turismo, agora de elevada qualidade, houve uma melhoria na educação, que fez crescer o ego e a moral dos insulares e, apesar de algumas bolsas de pobreza, a Madeira é hoje, em muitos aspectos, um bom exemplo da vida quotidiana.
Seguramente, é um privilégio ser Ilhéu da Madeira. Logo, é tempo deles começarem a pagar para que, nós por cá, possamos aliviar a carga!
Faltou ao Alentejo e Trás-os-Montes um Jardim e, seguramente, não seriam as regiões desérticas que são. Honras lhe sejam feitas, mas não o deixem repetir a dose!
As irregularidades de uns correspondem, sempre, às irresponsabilidades de outros e, na sua origem, estão quase sempre governações opacas, de governantes incompetentes, porque todos os buracos têm tido uma tampa política, é por isso que o Alberto João vai dormir tranquilo e ganhar as eleições, para desespero de uns e gáudio de outros.  
n a. a. Silva 2011-09-28