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O leitão de Águeda
Sep 21,2011 00:00
by
jneves
Longe vai o tempo em que o pequeno comércio de Águeda nem queria ouvir falar das “grandes superfícies” e a política local muito menos aprovava a sua instalação no concelho. Estávamos nos meados da década de oitenta, a grande distribuição “avançava” pelo país e adivinhava-se que Águeda não resistiria á pressão dos grandes interesses comerciais e, mais cedo ou mais tarde, os aguedenses teriam, em quase cada esquina, um hipermercado, abarrotado com as mais reluzentes maçãs da Andaluzia ou os doces abacaxis do Estado de Rondónia, no Brasil. Vem isto a propósito da recente Festa do Leitão de Águeda, tradicional realização da Associação Comercial de Águeda (ACOAG), estrutura associativa criada com o objectivo de defender o pequeno comércio, dinamizando a sua malha tradicional e lançando as bases para uma frente comum, capaz de enfrentar, com os mínimos prejuízos, essa onda avassaladora, evitando o encerramento de muitas portas e protegendo a já débil condição de vida de muita da nossa população. Com mais ou menos dificuldade, em parceria ou às vezes sozinha, a ACOAG traz à mesa o bácoro de Águeda, o champanhe da região e os políticos - os que entraram e os que saíram - que sempre nestas margens do Botaréu encontram terreno fértil para apregoar o “cumprimento” de promessas ou desculparem-se quando, já fora do poder, falharam ao prometido no palanque das “Almas da Areosa”. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, infelizmente, a coerência começa a ir rio abaixo. Este ano, a ACOAG convidou o artista oficial da SONAE de Belmiro de Azevedo, líder nacional das grandes superfícies, a abrilhantar a feira, tendo no próprio dia o artista visitado o hiper do grupo na cidade. Sendo certo que as pessoas e as empresas não devem estar de costas voltadas umas para as outras, neste tempo de globalização crescente, será legítimo perguntar se a meia dúzia de euros a mais que entraram na bilheteira do Largo 1º. de Maio, pagam os princípios estatutários que levianamente mandámos ás urtigas. Reza, Beatriz, mas nunca te ponhas de joelhos! n JNS |