"Wikilikices"
Dec 29,2010 00:00 by Luisa-Mello
n Ando numa tremenda crise de identidade, o que em mim nem é muito normal. Geralmente, sou o que se chama uma pessoa “bem resolvida”: sei o que quero e o que não quero; do que gosto e do que não gosto; o que aceito e o que não quero aceitar. Assim-assim, não me está muito no feitio. É  desta maneira que se engolem mais sapos mas também é deste jeito que mais depressa os devolvemos sem digestão feita aos charcos de onde apareceram…
Só que este ano tem sido o ano de todos os sapos.
Ia a escrever espantos, mas o engolir e o rejeitar dos sapos não dá tempo à demora que leva a resolver certas perplexidades… Dado de barato as “sapices” do governo, que a mim só causam espanto quando dos intervalos e porque, quando, ou se, o FMI e outras instituições disciplinadoras nos baterem à porta, havemos de ver um Primeiro-Ministro a assacar-nos (às oposições e ao Zé Povo, em geral) com todas as culpas e de o sabermos estarmos já  descansados… Para fim de ano, temos a tal coisa do wikileaks, já lhe sei o nome, que, nestas coisas de electrónicas, aprendo devagarinho, mas aprendo, que é o que me traz na tal crise de identidade: não sei se rie se chore, se lamente se aplauda; se acabe bem se ache mal, declarando, desde já a minha inclinação para as segundas hipóteses.
A coisa começou “soft” nas tais apreciações de cunho pessoal a pessoas e países (foi a parte do riso) mas vai num  crescendo tal e tão desenfreado que não há charco de sapos que os aguente. Qualquer dia, e na melhor das hipóteses, ainda vamos ficar sabedores que Obama é neto natural de Martin Luther King, ou a senhora Merkl descendente da raínha das walkírias, que Wagner celebrizou em ópera. Digo na melhor das hipóteses porque, em relação ao primeiro senhor, a “maroteira” parece-me cem por cento anti-americana e nunca viremos a saber ao certo qual foi a verdadeira mão que embalou este berço. Mas, a este propósito, tenho o meu próprio wikileaks a intuír que é precisamente norte-americana, e, wikileaws “que é precisamente de origem norte-americana e, wiklikando ainda mais, da parentela do realizador cinematográfico Michael Moore que tem do seu país a opinião que Maomé tinha do toucinho (se é que o não comia às escondidas). Eu a pensar que os americanos eram de arcas-encoiradas e, afinal, estão cheínhas de buracos!
Aprochegando-nos do nosso cantinho: Cavaco Silva não foi da PIDE, mas “correspondeu-se” com ela… Estava na altura da descoberta!… Eu nunca me correspondi com tal organização, nem tão pouco conheci alguém que a ela tenha pertencido, pelo menos conscientemente. Não usufrúo da glória de lhes ter interessado, é verdade. Nenhuma actividade política, se o não fôr a minha antipatia plos comunistas dessa época. O perfume a Estaline, não me era agradável. No entanto, se quis trabalhar na função-pública, tive de assinar uma declaração de que não pertencia a esse partido, o que para mim não foi propriamente uma violência porque só apuz a assinatura debaixo da verdade. Quem foi buscar uma “nódoa” destas à lapela do Presidente não sabia de usos e costumes desses tempos? Que “wikilikice!”.
n LUISA MELLO - 20-12-2010