|
Homenagem de Águeda a um homem do povo
Dec 29,2010 00:00
by
Carlos Albano (dr.)
Águeda é uma terra com memória, honra e homenageia os seus filhos dilectos. Aconteceu, uma vez mais, por iniciativa da ANATA. Personalidades como Amorim Figueiredo, Fernando Vilela e Fábio Lopes, ou instituições como o Clube de Ténis, os Pioneiros e a Escola Secundária Adolfo Portela, foram justamente homenageados pelos seus conterrâneos. A edilidade, honra lhe seja feita, também tem procurado perpetuar a memória dos nossos maiores. Atribuindo nomes a ruas e edifícios públicos, ou erigindo estátuas, bustos e esculturas em praças e jardins. NORMAS NAS RUAS Industriais e professores, médicos e militares, cantadores e maestros têm os seus nomes em ruas de Águeda. Joaquim Valente Almeida, Sebastião Dias Lobo, Dr. Dionísio Vidal Coelho, Comandante Pinho e Freitas, Armindo Santos e Américo Fernandes são ilustres exemplos. A toponímia aguedense tem nomes da monarquia e da república, do estado novo e da revolução, em salutar convívio democrático. Há condes e conselheiros, nobres e plebeus, heróis do ultramar, do 27 de Janeiro, do 5 de Outubro e do 25 de Abril. Agraciaram-se também naturais que não são residentes e residentes que não são naturais, emigrantes e imigrantes. A nenhum foi negado o reconhecimento do mérito. Manuel Alegre, ilustre poeta, é de Águeda, nasceu cá. Não vive cá mas, sendo ilustre, tendo escrito poemas e livros, os representantes dos aguedenses decidiram baptizar com o seu nome o novo edifício da biblioteca. Também a memória da nossa indústria tem sido acarinhada pelos nossos edis, e exposta em locais de grande visibilidade, nomeadamente em rotundas de amplas dimensões. A rotunda da bicicleta, no Brejo, a rotunda dos cadinhos ferrugentos, no Ameal, ou a chaminé da fábrica da telha são recordatórias perfeitas da história da indústria de Águeda. Os sectores das duas rodas, das ferragens e da cerâmica de barro vermelho não poderiam ter melhores ex-libris. VISÃO DO FUTURO Mas as terras não vivem só de passado e os seus representantes têm obrigação de antecipar o futuro. Felizmente, Águeda tem uma visão para o futuro. Alicerçada no nosso passado grandioso no sector das duas rodas, a nossa Câmara decidiu criar uma ciclopista em toda a cidade. Da baixa ribeirinha à zona alta, nas avenidas largas e nas ruas estreitas, nos lugares de estacionamento e nas faixas de rodagem, foi pintada uma risca vermelha sobre a qual hão-de circular dezenas, senão centenas de bicicletas. Como antigamente, antes da invasão das motorizadas e dos automóveis. É uma decisão que, apesar de polémica, se há-de vir a mostrar acertada, num futuro próximo. Antecipando a crise, vendo mais longe, o nosso governo municipal idealizou uma cidade nova, sem carros. Uma cidade de gente que comprou bicicletas porque já não tem dinheiro para comprar gasolina, nem para pagar a prestação do carro. Uma cidade adaptada aos tempos que correm. CICLOVIA JOSÉ FALORCO Acredito que venha a ser atribuído um nome à nova ciclopista. Acredito que já esteja pensado, que seja nome de pessoa ilustre, relacionado com as duas rodas, utilizando o mesmo critério de escolha do nome da biblioteca. Atrevo-me, no entanto, a discordar. Sugiro, não um nome ilustre, sonante, mas um nome do povo. Do povo mesmo, do povo pobre. Sugiro, se me permitem, que chamem à nova pista Ciclovia José Falorco, o único cidadão aguedense que actualmente se faz transportar em bicicleta pelas ruas da cidade. n CAA n Carlos-a-abrantes@clix.pt |