|
O que é o neo-liberalismo?
Sep 29,2010 00:00
by
Luisa-Mello
l Depois que o grandes bancos americanos e o trafulha do Madoff se afundaram, a vida, pelo menos na Europa (que, noutros continentes, é regra geral), tornou-se numa apoquentação de meter raiva. E não é, pelo meu caso, que lá disse algures Woody Allen, “o que mais detesto é a velhice. Não é divertida, não é um bom guião, perde-se a vista e a inteligência. E dá dores nas costas. Aconselho evitá-la o mais que se possa”. Assim pudéssemos evitar apoquentações burocráticas, financeiras e noticiários televisivos de faca e alguidar, coisas que nem muito velhas são... (Não é que a vista cansada e as dores nas costas não “aporrinhem” que se fartam!). Acho que tudo isto é por causa do neo-liberalismo. Alguém me explica, preto no branco e sem manigâncias ideológicas, o que é ao certo o neo- -liberalismo? Pelo que tenho ouvido, parece-me coisa de fascistas, dos verdadeiros, dos autênticos, dos maus como as cobras, porcos e sujos. O que não é, forçosamente, o caso decorrente de ser de Direita. Eu sou-o e tenho nojo, asco e horror dos acima caracterizados. Aliás, sou ao mesmo tempo muito conservadora numas coisas e muito liberal em outras, o que não é bipolaridade que me leve ao divã do pisiquiatra. Nem sequer a práticas incompatíveis. É como dizia a outra: “Todas as coisas têm gasto!”. (Ainda lhes hei-de contar esta história...) Falando em gasto: o que é então, precisamente, o estafermo do neo--liberalismo? Se o termo se refere exclusivamente a questões monetárias correntes, sou das que, como diz S. Lucas num dos seus Evangelhos, entrarei de certeza no paraíso pela porta estreita; se se trata de “abocanhar” mais do que o decente, sem ter na vida outro objectivo, então, de facto..., meu adorado país no que te foste meter! l Quando, nos meus primeiros bancos de escola, tinha de ir aos sábados para a Mocidade Portuguesa fazer ginástica - e aqui, sim, comia, não gostava e calava... - e aprender a confeccionar bolos, bordar naperons e tratar, teoricamente, de bebés, ensinavam-nos que tudo isso nos tornaria óptimas futuras cidadãs, porque, dizia Salazar, o que era preciso era produzir e poupar. Quem sabe, quiçá, não seria isto uma espécie de travão ao neo-liberalismo?! Se estou enganada, as minhas desculpas pela ignorância. l E agora, que abriram as escolas com as trapalhadas do costume. Li há dias, em suplemento divertido de um semanário: “Governantes de países nórdicos pedem que políticos portugueses no poder parem de dizer que se inspiram nas suas políticas educativas. Estamos a ficar com má fama”. O meu sentimento, ao mesmo tempo filial e maternal pela Pátria que me viu nascer, anda cada vez mais deprimido! n LUÍSA MELLO - 9-9-2010 |