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Testemunho: Uma atracção irresistível...
May 27,2010 00:00
by
Irmã Raquel Silva
Doze anos sem me confessar, sete sem ir à Missa, a paixão pela ciência e o ateísmo aos 15 anos de idade, são os ingredientes desta história em que Deus assumiu o protagonismo, intervindo no momento oportuno e dando origem à grande viragem que ainda agora se realiza e me impele para mais além. E desta intervenção de Deus que falo no meu livro “Uma Atracção Irresistível” (Edições Tenacitas). Tudo começou aos 12 anos - apenas dois, depois da primeira Comunhão -, quando decidi não mais me confessar, achando que bastava pedir perdão directamente a Deus. O meu fascínio pela ciência, em particular pela astronomia, desenvolveu em mim uma visão materialista da realidade, fazendo-me desembocar num ateísmo convicto aos quinze anos. Obrigada pelos pais a ir à Missa, aos 17 anos senti claramente a presença de Deus no momento da Comunhão. Compreendi que Deus afinal existe, mas abandonei a Missa, que considerava uma simples cerimónia para recordar a Deus. No entanto, aquele chamamento aos 17 anos motivou o meu regresso à Missa aos 24, acompanhado de grande alegria. E foi então que Deus me atraiu a consagrar-me inteiramente a Ele: no momento de me deitar, quando me preparava para adormecer, brotou dentro de mim um súbito e espontâneo desejo de uma entrega total a Deus, desejo jamais sentido ou imaginado e com o qual, agora, inexplicavelmente me identificava por completo. Não resisti, entreguei-me à sua vontade e procurei-a no silêncio da oração. E foi o silêncio tomando-se cada vez mais o habitat natural da minha alma. Faltava saber onde Deus queria que me consagrasse a Ele. Procurei conhecer congregações religiosas, mas com o carisma de nenhuma me identificava. Fiz dois retiros na portaria do Mosteiro da Visitação de Vila das Aves - onde hoje me encontro -, com o fim de dedicar os dias à leitura de livros espirituais e à oração no silêncio, Deus fez-me sentir que era ali o meu lugar: Deus chamava-me a ser monja visitandina, a beber da maravilhosa espiritualidade de São Francisco de Sales. E foi assim que, depois de uma juventude em tudo normal - nada faria prever que um dia viria a ser freira -, depois de ter estudado, tirado o curso e começado a trabalhar, de ter namorado quase cinco anos e sonhado com casar e formar família e com uma carreira profissional, de tudo abdiquei por uma razão maior. Entrei no mosteiro há dez anos, e toda a minha realização está no amar a Deus e entregar- -me a Ele na oração e na vida fraterna em clausura, sabendo pela fé que, apesar de todas as minhas limitações e fraquezas de ser humano, a minha vida e o meu ser são postos, nas mãos de Deus, a render em favor de todos, o que é para mim fonte da mais genuína alegria. A alegria. E a alegria e a esperança o que mais desejo transmitir neste pequeno livro. A vida é cada vez mais difícil e exigente. Na sociedade, abundam sofrimentos e inseguranças. Há sofrimentos que nos batem à porta e nem sabemos como lidar com eles, de tal modo nos ultrapassam. Não podemos mudar os acontecimentos, mas a nossa atitude pode determinar a forma como os vivemos e ultrapassamos. É possível ser feliz, por meio da fé, mesmo nos maiores sofrimentos, como bem vi na minha mãe, vitimada pelo cancro. Falo dela no terceiro dos três breves capítulos do livro, pensando em quem mais sofre. A fé transforma-nos e dá-nos tranquilidade e segurança onde, de outro modo, existiria a revolta e o desespero. Mas o livro foi escrito para crentes e não-crentes, como digo logo na introdução, e pode ser do interesse de ambos. É uma partilha aberta a todos. |