As vielas na polĂ­tica
Mar 24,2010 00:00 by jneves
Está a começar mal o segundo mandato socialista na Câmara de Águeda e as notícias do que por lá vai não animam o concelho, naquilo que devia ser a sua atenção  política: a de fazer sair do papel timbrado as obras anunciadas nas brochuras douradas das últimas eleições.
Infelizmente, as coisas não estão a ir por aí.
O pagamento de modo apressado de 300 000 euros a funcionários da autarquia, está a incendiar a política local, com o PSD a “esticar a corda“, exigindo responsabilidades  e avançando  com a convocação de uma Assembleia Municipal (AM)  extraordinária, entretanto marcada para 24 de Março e para esse efeito.
Tratando-se de uma verba significativa de ajustamento de salários num provável - assim se espera... - enquadramento legal, não se compreendem as afirmações do presidente da Câmara Municipal, na última AM, mostrando-se alheado do processo e atirando os procedimentos que lhe deram origem ao nº. 2 da Câmara, Jorge Henrique Almeida.
E aqui é que bate o ponto  e  pode estar uma atitude política que não se recomenda, quando a solidariedade deve ser um valor sempre presente entre pares de um  órgão colegial .
O exercício do Poder Local não está isento de erros mas quando isso acontece e se está de consciência tranquila, é preciso enfrentá-los na hora própria e não lavar as mãos como Pilatos, mesmo que isso custe ouvir críticas e traga ao de cima fragilidades que uma gestão de excelência não permite.
Instalada a dúvida - e não esclarecida em tempo útil, como seria desejável e até obrigatório pelo líder do Executivo – aí encontrou  o PSD um terreno fértil para caminhar uma estratégia de acerto de contas políticas, ainda não saldadas, com o PS local e que agora se faz no órgão máximo do poder local – a Assembleia Municipal - que bem deveria gastar a sua saliva a tratar dos caminhos  do futuro  mas que envereda agora pelas vielas de sentido único e sem retorno à vista.
Os tempos são de crise, chove em Águeda na Procissão do Senhor dos Passos.
O que será preciso para que a Primavera chegue a esta política conterrânea, que tão necessária seria para que crescesse a vida urbana, respirasse a alma e a gente se fizesse à estrada?
Largos dias tem 100 anos.
Mas a pressa é muita e o tempo é pouco.
Não podemos perder mais tempo, não achas Beatriz?