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Águeda, outra vez...
Mar 11,2010 00:00
by
Luísa-Mello
Não há fome que não dê em fartura! Volto a Águeda, terra do meu coração - e assim digo porque - é verdade e na infantil tentativa de amaciar o pessoal de topo do município. Todos os dias, mal me levanto, penso passar por lá, para tentar ter uma conversa lógica (escusa de ser um exercício de dialética, que não tenho pedalada para tanto...) com quem de direito, sobre regalias adquiridas antes mesmo da revolução (o meu prédio foi construído em 1973 e eu a sua primeira inquilina), que vejo pela primeira vez postas em causa: o estacionamento dos veículos dos seus moradores. Para quem não conhece o sítio: o passeio virado para a parte sul e poente do prédio é de tamanho XXXL. Quase me atrevia a dizer que é mais largo que a rua, mas só medindo. Quando do contrato de aluguer, havia garagem do lado da Avenida dr. Joaquim de Mello, meu bisavô... Só que depressa se chegou à conclusão que o espaço assim chamado melhor serviria para uma piscina: no inverno, só se lá entrava de galochas e no verão o pó era tanto que não sei se todos os utentes, ficaram de vez “vacinados” contra alergias concomitantes. Eu fiquei. Abreviando: a saudosa senhoria de então, Dona Dalila Silva Valente de Almeida, face à impossibilidade de acabar com água e pó, propôs aos inquilinos de também então, dos quais só resto eu que sou muito conservadora - e gosto muito do meu apartamento - reduzir uns tantos escudos na renda, que tinha (por essa altura, fama de ser das mais elevadas da urbe. Tudo concordou e ficámos por assim dizer com os veículos na garagem estrela, arrumados rente às paredes da casa. Coisa que nunca afectou nenhum transeunte, que podia passar-lhes por trás, mesmo que de braço dado com mais oito pessoas. (Que habitantes de outros prédios aqui viessem estacionar também é verdade e se tornou um hábito, mas cada residente sabia bem que carro tinha e que bocadinho do passeio/eira lhe pertencia). Com a conclusão do grande edifício ao lado, com garagem suponho que seca e arejada, e ainda pegado outro passeio/eira, onde sempre vejo carros estacionados, a coisa complicou-se para os primitivos utentes do seu quartozinho do “terreiro”, junto à nossa porta e janelas. Atrás, podia dançar-se a antiga Conga e ainda sobrava passeio propriamente dito. Tudo por conta da dona do prédio, a quem na altura pertencia o terreiro. Da primeira vez que topei com agentes da GNR a tomar nota das matrículas das nossas preciosidades de rodas, perguntei “que se passa”? Estacionamento em cima do passeio! A sério? Mas isto já tem usocapião de pelo menos 40 e tal anos e é metáfora chamar-lhe passeio: atrás de onde estão estacionados os carros dos moradores, podia organizar-se um bailarico! Dos que não são de cá, não temos culpa... Fui importunar o amável vereador Jorge Almeida e a engenheira Manuela Pato, que simpáticamente acedeu, dada a proximidade do seu lugar de trabalho à minha “pedra de escândalo”, vir observar “in loco” as minhas razões de queixa. O espaço era realmente avantajado, mas, enfim, era passeio... Ter-se-ia que ver. Tempo decorrido, mais gnr’s a averiguarem das matrículas... Apelo à Câmara Municipal: qual a possibilidade de uma placa “Só para residentes” no terreno junto à habitação? Com risquinho amarelo e tudo? Ou, passados quarenta e tal anos, me vou ainda arrepender de ter dispensado a garagem-piscina?! Sinto que o progresso me está a roubar direitos que julgava adquiridos! Gosto muito de ver os respeitáveis senhores agentes aqui pelo meu terreiro, mas é para ver se a gandulagem não anda a cometer atropelos sobre os veículos que passam a noite na já citada garagem-estrela. Será que Câmara Municipal, GNR e moradores-munícipes nos podemos entender?... Veneradora, atenta e obrigada!, como se dizia no antigamente. PS: Por favor, por favor, não me venham repetir que tudo será regularizado após a derrube da Casa do Engenheiro! Gostava de ver o assunto resolvido ainda em vida!... |