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Notas soltas
Feb 04,2010 00:00
by
Armando Rocha
1. Louvor justificado? Naturalmente que todas as pessoas que prestam serviços a alguém gostarão de ver reconhecidos os seus méritos. Quer seja na função pública quer seja no privado, só fica bem aos “chefes” reconhecer publicamente as qualidades dos seus colaboradores. Parte-se do princípio, naturalmente, de que o merecimento desse reconhecimento é justo e adequado. O que custa a crer é que, ao fim de quatro dias de trabalho, a não ser que ele tenha sido “especial e excepcionalmente duro”, haja alguém que mereça figurar, com louvor, nas páginas do Diário da República. Refiro-me a dois despachos distintos, exarados ambos no mesmo dia (4-11-2009), um a nomear a licenciada Paula Alexandre C. C. Ferreira como secretária pessoal do gabinete do Primeiro-Ministro, com efeitos retroactivos a 26-10-2009, e o outro a exonerar essa mesma “agente”, em 30-10-2009, ou seja, 4 dias depois - por ir exercer outras funções. Não se julgue que estou a brincar! Não! Basta ir ao Diário da República e consultar os Despachos do Engº. José Sócrates nº.s 26370 e 26371/2009, em que se diz que lhe foi “grato evidenciar a forma extremamente leal, competente e dedicada como desempenhou aquelas funções, bem como as excelentes qualidades pessoais e profissionais”. Numa altura em que tanto se falava de avaliação dos professores… Ai se o ridículo pagasse imposto, o défice do Estado não seria o que é… 2. Angola sem divisas. A política reserva cada coisa ao contribuinte português que nem dá para acreditar! Pois então não acaba de ser anunciado que o Estado português se comprometeu a emprestar 140 milhões de euros ao governo de José Eduardo dos Santos, numa ajuda do FMI, destinado a evitar uma ruptura na reserva de divisas naquele país irmão? Esse empréstimo não poderia ter vindo na pior altura para Portugal, que está em risco de seguir o exemplo da Grécia… E não se compreende que um país como Angola, que é um dos maiores produtores de petróleo no mundo, cujo Presidente não é mesmo conhecido pela frugalidade nos gastos… tenha de estender a mão ao FMI… E ainda mais me espanta o próprio FMI, em vez de reprovar esses gastos, venha bater à porta de um país em maus lençóis financeiros… e onde Angola está a comprar empresas altamente rentáveis… Política a quanto obrigas… |