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Clube da Venda Nova: Já sou deputado, sinto-me maior!
Jan 07,2010 00:00
by
RSP
Devidamente convocada, reuniu a Assembleia do Clube para mais uma vez se pretender, se possível, discutir algo de interesse para Águeda. O presidente Celestino de Almada iniciou os trabalhos com uma questão prévia de candente interesse: “O Senhor Engenheiro Hilariante Santos, na última reunião, afirmou, com convicção, que não se deveriam tratar os senhores deputados desta assembleia por deputados, mas os membros por membros”. “E é verdade – exclamou o Hilariante – deputados são os da nação, nós somos membros e membro, como reza o dicionário Larousse, significa apêndice do corpo de um homem ou de outro animal! Nós, em linguagem metafórica, seremos a cabeça, não pensem que somos outro membro... outros serão os braços, outros as pernas...”. “Exactamente por isso lhes chamo deputados – afirmou, com convicção o Presidente Celestino de Almada – e, para não errar, também fui ao dicionário da Porto Editora e lá se consagra que deputado é uma pessoa incumbida de tratar de negócios de outrem”. “Isso quer dizer que se eu mandar a minha empregada ao tribunal levar uns papéis, ela é deputada!”, interrompeu o Lenine de Falgoselhe, aceitando a definição, embora com relutância – vou começar a chamar-lhe assim e ela vai ficar toda contente!”. “E até eu fico contente – disse o Hilariante, com manifesto regozijo – já sou deputado, sinto-me maior!”. “Senhores deputados – continuou o presidente Celestino de Almada, dando um murro na mesa para conseguir silêncio - depois de termos deliberado sobre estas normas de cortesia e sobre o tratamento que nos devemos dispensar mutuamente, vou dar a palavra ao dr. Pedro Teórico, funcionário superior do Clube, que nos vai falar da Águeda do futuro”. O técnico subiu ao púlpito e apresentou pela noite dentro um interminável diaporama, descrevendo obras e mais obras em projecto, que transfigurarão Águeda. No final, os deputados, membros ou apêndices, sejam lá o que forem, saíram extasiados. “Grandes obras – dizia o Seara Alheia, para quem o rodeava, enquanto abandonavam a sala, no final da longa sessão - por exemplo, o centro de artes e espectáculos na fábrica da telha, com aquela chaminé que simboliza a virilidade...”. “E a requalificação das margens do rio, a instalação do açude para que o rio se transforme num espelho de água e o desassoreamento para conseguir a navegabilidade até ao parque de merendas da Redonda...”, comentou o Pelé Bancário. “E a construção de uma torre de controle aéreo no Aeroporto Internacional do Casarão e estender a pista para jactos...”. Ouvindo falar do aeroporto, o Heitor Carapuço, de Aguada de Cima, disse com alguma apreensão: “Eu quero que a torre de controle, os balcões do check in e as lojas da sala de embarque fiquem na minha freguesia, porque sempre cobramos alguma coisa, mas estendam a pista lá para o lado do Cândam ou para onde quiserem para não nos estragar os pinhais!”. “Eu chamo a atenção para as obras a desenvolver no Cais das Laranjeiras, tão cantado pelo Brás dos Kiwis e pelo Poeta Catula, donde saíam os barcos com lenha para Aveiro e com pessoas para a Costa Nova”, acrescentou, muito empolgada, a Excelsa da Corga, lembrando “esse local paradisíaco, onde se vendiam os alimentos do povo, o carapau e a sardinha...”. “E a criação de um terreiro junto à nora, onde as mulheres lavavam no rio, para ali cantarem e dançarem o Cantigueiro e os Montanheses”, acrescentou o Celestino de Almada, mais adiantando: “Não nos podemos esquecer que Águeda é a capital do folclore!”. O presidente Gil Pedalais, orgulhoso do projecto, altivo, acrescentou: “Mas mais importante ainda, o que vai chamar a Águeda milhares de turistas, é a criação de uma ilha artificial a jusante da ponte, inspirada na Ilha do Dubai...”. O Egberto das Canas, a descer as escadas da a galeria onde assistiu à assembleia, clamou em voz alterada: “Em vez de andarem a prometer essas obras megalómanas que nunca vão fazer, abram mas é a Rua de Cima ao trânsito, que é muito mais fácil, fica barato e dá muito mais resultado! |