Clube da Venda Nova: Vamos já tratar dos contactos
Jul 02,2009 00:00 by RSP
Acabaram as eleições e já começaram a aquecer os ânimos para outras.
Uma pré-campanha começa no rescaldo de outra campanha alegre, que acabou com a vitória de quase todos os concorrentes. E o povo diverte-se com as piruetas histriónicas dos candidatos e dos candidatos a candidatos que querem protagonismo. Para o Clube da Venda Nova, surge uma candidatura independente, não alinhada.
“Vamos ter um problema grave para resolver”, disse, com ar grave, o Agridoce, para o José Vidigal dos Rosas, disfarçados  numa mesa a um canto de um restaurante,  para não serem incomodados pela comunicação social. “É a questão da candidatura independente da Alexandra...”.
“É, de facto, preocupante que alguma alternância, pouca, que tem estado na nossa mão, possa perigar”, respondeu o Vidigal, acrescentando: “E acontece que elas já têm ideário, doutrina, e dizem que o objectivo principal da candidatura é renovar, revolucionar Águeda...”.
“Tem que causar alguma apreensão”, concordou o Agridoce. “Vamos supor que têm as forças armadas ao lado delas, a guarda republicana, sei lá... podem até instalar uma ditadura e criar uma polícia do regime e uma milícia”.
Pararam para pensar por momentos e o José Vidigal quebrou o silêncio e disse, a coçar a cabeça:
“Só há uma maneira de exorcizar esse mal, que é fazermos uma coligação, uma espécie de bloco central...”.
“Qual bloco central?”, interrompeu o Agridoce. “Isso não chega! Temos que arranjar uma frente alargada, uma
task-force e tem que se juntar a nós toda a gente, os da direita e os da esquerda burguesa e proletária, os trotskistas, os libertários, os acráticos...”.
“Tem razão, vamos já tratar dos contactos, é urgente...”, disse o Agridoce, pensativo.
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Estrénuos, abnegados, os arautos do povo sentaram-se outra vez na assembleia do Clube e lá falaram em bom tom e som do diagnóstico e tratamento das maleitas do concelho. Intervenções várias e com algum dramatismo.
“Eu admito a prostituição”, afirmou, do púlpito, o deputado António Martírios. Mas, disse, “repugna-me é como ela se manifesta. As mulheres que levam essa vida, deviam andar vestidas de freiras, escondidas e os homens indignos que se tentassem por essas pecadoras, bem poderiam ir à Internet e socorrer-se do sexo virtual”.
“Também acho – disse o Gil Pedalais – é feio ver mulheres bonitas, bem vestidas, ataviadas, pelos pinhais a estragar o mato...”.
“E sem pagar impostos!”,  gritou o Lenine, num lamento. “Essas mulheres deveriam estar em casas limpas, fiscalizadas pela ASAE, pagarem água, luz e saneamento e passarem recibo verde...”.
“Você  é de outro tempo”, respondeu o Vidigal. “Então não gosta de as ver quase tão nuas como as árvores,  a enfeitar a floresta? Olhe que até fazem jeito para prevenirem os incêndios!...”.
O Lenine, abespinhado, retrucou: “Você nunca admite nada do que eu diga, isso não é democracia, é ditadura!”.