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Orquestra Municipal de Águeda com 131 músicos em palco!…
Jun 09,2009 00:00
by
RSP
A Orquestra Municipal de Águeda (OMA), composta por 131 elementos, todos seleccionados nas cinco Bandas do concelho, tem estreia marcada para 10 de Junho (17 horas), feriado nacional. Espera-se casa cheia no Cine-Teatro São Pedro.O primeiro concerto da OMA foi preparado com cinco obras, cada uma dirigida pelos maestros das cinco Bandas do município: “Tannhauser”, com direcção de Óscar Matos (Castanheirense); “Novo Mundo”, por Pedro Neves (12 de Abril); “Galaxia”, por João Neves (Nova); “La Boda de Luiz Alonso”, por Hugo Folgar (Alvarense); “Águeda Florida”, por Araújo Pereira (12 de Abril), em substituição de Carlos Marques (Marcial), ausente do país. Os maestros Pedro Neves e João Neves, ao violoncelo, numa prova de humildade, disponibilizaram-se para integrar a OMA. Gil Nadais (GN), presidente da Câmara Municipal, mostra-se determinado em apoiar “projectos inovadores, que ajudem a afirmar Águeda” e entende que a OMA “é o assumir de uma união genuína”. SOBERANIA DO POVO (SP): Quais são as expectativas em relação à estreia da Orquestra Municipal de Águeda (OMA)? GN: São as mais elevadas. Trata-se de um acontecimento único. É o assumir de uma união genuína entre as Bandas de Águeda. Estou certo que os músico se empenharam em assegurar uma actuação ao mais alto nível. SP: O que é que os aguedenses podem esperar da OMA? GN: Podemos esperar muito, mas tudo depende do que a UBA e os seus associados quiserem fazer da OMA. A Câmara Municipal está sempre disponível para apoiar projectos inovadores e que ajudem a afirmar o concelho de Águeda. SP: Podemos estar perante o início de um projecto que caminhe na direcção das grandes orquestras que temos em Portugal? GN: Eu faço votos para que sim, mas o futuro faz-se caminhando. É um primeiro passo que se está a dar e o que se pretende, no futuro, é seguir um processo de crescimento sustentado. SP: O relacionamento deste executivo com a União de Bandas de Águeda (UBA) começou algo distante e frio. O que é que motivou a aproximação? GN: A UBA não funcionava! Era um organismo que se limitava a ir à Câmara Municipal buscar um subsídio para um concerto anual. O entendimento actual é que os dirigentes da UBA estão dispostos a ajudar o concelho a afirmar-se, discutindo projectos com valor real. SP: Como é que avalia o trabalho que tem sido desencadeado no seio da UBA? GN: O trabalho da actual direcção da UBA só pode ser avaliado da melhor forma. Está a encetar uma verdadeira união das cinco Bandas de Águeda e a traçar uma série de projectos comuns em que todos participem em igualdade de circunstâncias. SP: Como está a cultura em Águeda? GN: Está bem e recomenda-se, mas poderá estar sempre melhor se continuarmos a fomentar as parcerias. Sei que isso dá mais trabalho, mas é um processo mais gratificante e com melhores resultados. SP: E com que cultura é que os aguedenses podem contar no futuro próximo? GN: (risos) A Câmara Municipal não faz a cultura por decreto. A cultura do povo faz-se em parceria. É isso que queremos, envolver as entidades do município na dinâmica cultural de Águeda. SP: Prometeu, em tempos, um Centro de Artes e Espectáculos para Águeda. Quando é que vai concretizar a ideia? GN: Penso que dentro de muito pouco tempo será aberto o concurso de ideias. Convidámos a Ordem dos Arquitectos para nos assessorar neste projecto e penso que, ainda este mês, poderemos dar passos firmes nesta ambição. SE TODOS FOSSEMOS MÚSICOS, ESTE MUNDO SERIA BEM MELHOR António de Almeida e Silva (AAS), presidente da UBA, está entusiasmado com o projecto da OMA e assevera que o concerto de estreia se trata de “um evento histórico, que Águeda não deve, nem pode perder”. SP: Como é que surgiu a ideia da criação da OMA? AAS: É um sonho com 20 anos. Desde a fundação da UBA, em 1989, que era intenção dos seus fundadores criar um grande agrupamento musical que honrasse todas as Bandas do concelho e que, num ambiente sadio, acabasse com as disputas doentias e mesquinhas que, sem sentido, tanto afectavam o normal funcionamento e, até, a moral das nossas colectividades. Hoje temos a prova de que, entre os músicos, não há birras nem amuos inultrapassáveis. A UBA é um certificado de União! SP: O que é que os aguedenses podem esperar do concerto de estreia? AAS: Os aguedenses podem e devem desfrutar daquilo que têm de bom no concelho: música ao mais alto nível! Águeda fica com o direito à vaidade pelos seus músicos e pode orgulhar-se de ser pioneira em muitas coisas e até dar lições de associativismo. O primeiro concerto da OMA é um evento histórico que Águeda não deve, nem pode perder. São 131 músicos em palco! Espero que lá caibam todos, depois do desfile na avenida Eugénio Ribeiro. São, essencialmente, os dignos representantes da maior força cultural que Águeda tem: a música! SP: Trata-se de uma Orquestra para “consumo” interno ou é expectável que possa alargar horizontes? AAS: Esta é, seguramente, a pergunta mais difícil que me podia colocar, porque a resposta depende sempre da disponibilidade e do querer da Câmara Municipal, patrona da Orquestra. Não nos esqueçamos que se trata de uma Orquestra Municipal, onde a Câmara é um parceiro de peso e tem sempre a última palavra! Neste momento temos uma Câmara sensibilizada e a colaborar de uma forma clara e honesta com a UBA, amanhã não sabemos. Esperamos para ver, na certeza que os músicos tocarão, sempre, consoante a dança da Câmara e sendo certo que, unidos, podemos fazer coisas muito importantes para Águeda. SP: Gil Nadais, mostrou-se, em tempos, algo crítico em relação ao desempenho da UBA. As relações estão normalizadas? AAS: Deixe-me dizer-lhe que lembrar o passado, só mesmo para orientação do futuro. É uma doutrina que deve servir para todos! Não gosto de olhar para trás nem de fazer comentários a algo que, também a mim, me causou sofrimento. O passado é passado, olhemos em frente porque é para lá que caminhamos, mas posso-lhe garantir que as relações estão normalizadas e são excelentes. SP: O que é que a cultura de Águeda pode esperar da UBA? AAS: Há quem seja de opinião que as Bandas não são cultura, contudo, garanto-lhe que se todos fossemos músicos, mesmo de Bandas, este mundo seria bem melhor! SP: Que análise faz ao estado da cultura que temos no município? AAS: Enfim, já foi pior! Se tivermos em conta que poucos de nós têm hábitos de cinema, teatro, música, principalmente a clássica ou leitura, não podemos estranhar que o nosso nível cultural seja mau. A cultura é uma coisa do espírito e há muito quem sinta necessidade apenas de alimentar o corpo, mas aos poucos e com iniciativas destas há-de criar-se o hábito e a necessidade de se alimentar também o espírito. SP: Águeda tem músicos com qualidade de sobra para ombrear com os melhores. De que necessitamos para dar um pulo cultural? AAS: Primeiro, Águeda precisa de reconhecer os seus valores, o que nem sempre tem acontecido. Depois, as nossas associações têm muito que mudar, mostrar o que valem e deixarem de se preocupar apenas com subsídios sem darem ao povo, nada em troca. É por isso que considero um passo de gigante o que as nossas Bandas, coordenadas pela sua associação, a UBA, estão a fazer. |