25 de Abril, velhos pecados, novas virtudes
Apr 29,2009 00:00 by jneves
A Assembleia Municipal de Águeda, cumprindo o calendário,  realizou a sessão dos 35 anos do 25 de Abril, não se afastando do formato dos anos anteriores e não trazendo à agenda política do concelho nada de novo.
Em tempo de crise, que está para durar, e no início de um ciclo eleitoral que, começando pela Europa, continuará pelas legislativas e autárquicas até ao final do ano, teria valido a pena, em data tão relevante para o poder local, que se tivesse feito uma incursão pelos caminhos da política autárquica, avaliando a situação concelhia e caracterizando o trabalho da própria Assembleia Municipal durante estes anos.
No fundo, uma análise que, pondo de lado as habituais picardias rasteiras”, sectarismos  partidárias e outras más imitações provincianas do que se passa em Lisboa, na Assembleia da República, fotografasse as 20 freguesias e a qualidade de vida dos seus habitantes, chamando para o primeiro plano o que falta fazer para cumprir as esperanças do 25 de Abril, numa clara afirmação de que Águeda, para os seus autarcas, está antes dos partidos e o seu Povo é a razão primeira da sua acção política.
As escassas duas dezenas de pessoas que se deslocaram ao salão nobre da  Câmara de Águeda, não tiveram, assim,  a sorte de ouvir um discurso novo, mobilizador da comunidade e mensageiro de outros horizontes políticos, sem pecados velhos e palavras de gasta e nem sempre verdadeira contrição.
Um discurso que falasse também da Europa e até que ponto a nossa terra tem sabido utilizar os seus planos de desenvolvimento regional para melhorar, no terreno, as infraestruturas,  o emprego, a dignidade de toda a sua população.
Um discurso político que não deixasse cair a comemoração do 25 de Abril num acto de mera rotina, que afasta a população e a juventude dos seus valores e da sua história, mas que invertesse este plano,  perigosamente inclinado, de descrença generalizada na acção política de quem governa  e muitas vezes, se governa.
A política aguedense  parece,  assim, não querer sair da crise, deste “banho maria” em que está mergulhado em quarentena, há espera de algum D. Nuno Álvares dos nossos dias.
Mas por aí não vamos lá, Beatriz!