Clube da Venda Nova: Um autarca tem que ter uma visão universalista do mundo
Apr 01,2009 00:00 by RSP
Em Valongo do Vouga, numa manhã de nevoeiro, a rua com a designação toponímica Rua da Leopoldina Simões, apareceu alcatroada.
“Mais uma obra da Junta”, disse,  com entusiasmo e admiração, o Fernando do Central, com uma travessa de cozido na mão. “Temos um grande presidente, oxalá se mantenha por mais cinquenta anos! Pelo menos!...”.
“Isso não é bem assim...”, disse o Ruca Se Cá Vier. “Há quem diga que ele faz pouco e o que faz é com ajudas”.
“E têm razão...”, disse, com voz troante, o Fernando Granizo, a trincar uma coxa de galinha de fricassé. “E mesmo essa rua de que estão a falar não foi ele quem a alcatroou. Não foi ele nem o Clube, se qurerem saber!”.
“O quê?,”,  perguntou, contrariado e com sorrriso sarcástico, o Fernando do Central. “Então foi o Santo António ou a Senhora da Conceição? Olhe que o alcatrão não é como os canos, está bem à vista!...”.
“Tenho quase a certeza de quem foi”, afirmou o Fernando Granizo, que tinha acabado de engolir a moela. “Aquela rua dá para a casa dos pais da presidente de Macinhata. Sei que ela andava há muito tempo a suplicar ao presidente de cá, através de mailes, telefonemas, faxes e até via rádio e pombos correios que alcatroasse aquela rua, porque rebentava com os pneus do carro e até já tinha dado cabo do veio de transmissão”.
“Então quer dizer que foi ela que mandou reparar a rua numa freguesia que não é dela, com dinheiro do erário de Macinhata?”,,  perguntou, boquiaberto, o Toni Se Cá Vier.
“Vocês só pasmam porque têm uma visão redutora e limitada dos autarcas, entendendo que só podem fazer obras dentro das fronteiras das suas freguesias!”,  disse o Castro Agridoce, com ar de politicólogo experimentado. “Um homem deve ser universalista do mundo em que vive e ser solidário com os outros”.
Parou, bebeu um trago de capoccino e continuou: “Um edil que se preze, se vir alguém, mesmo de outra freguesia, que esteja a sofrer de algum mal que possa ser  corrigido com os seus meios, deve agir imediatamente”.
“Também concordo”,  disse o Zé Carlos Flippers, com um cigarro apagado ao canto da boca. “Nem que quem precise das obras seja da família dele, pode até acontecer ser pura coincidência...”.
“Está tudo muito bem”, rematou o Fernando Granizo. “Mas ela só devia fazer obras noutra freguesia, se não houvesse obras para fazer na freguesia dela!”.

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Em Fermentelos, afastado que foi ou parece ter sido, inesperadamente, o Amílcar Granizo, já apareceram nomes possíveis e começou a campanha de divulgação e, de entre eles, um a encabeçar uma lista independente.
O Artur Carvalhoso, jornalista e observador atento dos fenómenos políticos e sociais, conversava no Largo do Cruzeiro com o Rainho, com o Timorato, com o  João Manso e outros e, a propósito, afirmou judiciosamente:
“Estas eleições vão dar confusão. O candidato independente tem o mesmo apelido do candidato dos laranjas. Se ele for esperto ganha as eleições. Arranja uma bandeira e um logotipo com uma seta parecidos com os daqueles democratas e leva os votos dos dois lados!
“Isso não,  isso não está bem”, disse o Raínho. “Acho que se deve alertar a Comissão Nacional de Eleições e obrigar a arranjar sinais que o distingam...”.
O João Manso, com o seu sisudo, ponderou: “Para não haver confusões, para identificar o independente, em vez de Nolasco, escrevia-se: “ Artur Jorge -Treinador de Futebol!”