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Comissão de Protecção de Crianças e Jovens: Famílias negligentes em Águeda
Apr 01,2009 00:00
by
RSP
Nair Barreto, presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Águeda (CPCJA) refugiou-se “no respeito pela intimidade”, para não comentar o caso da menina de 12 anos abusada sexualmente em Arrancada do Vouga, por um indivíduo de 26.
O caso ganhou projecção mediática nacional acrescida, pelo facto de dois jovens terem recolhido as imagens dos abusos cometidos e difundido o vídeo a vários amigos e colegas de escola da vítima, que, entretanto, foi entregue a uma instituição de solidariedade social de Vagos. SOBERANIA DO POVO (SP): Que comentário lhe merece o recente caso de abuso sexual cometido sobre a aluna da Escola EB 2,3 de Valongo do Vouga? NAIR BARRETO (NB): Como presidente da CPCJA, não posso, nem devo tecer comentários públicos sobre situações particulares e concretas. A promoção dos direitos das crianças e jovens deve ser efectuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva das suas vidas privadas. SP: Mas, estando já a família da menina devidamente sinalizada, não teria sido possível evitar este caso? NB: Como disse, os processos de promoção de jovens têm carácter sigiloso e só desta forma se cria uma relação de confiança necessária ao desempenho, com sucesso, do nosso trabalho. SP: Diz-se que o episódio de Arrancada do Vouga é apenas a ponta de um problema de muito maior dimensão social existente em Águeda... NB: Infelizmente, ao longo do ano, vão chegando à CPCJA vários alertas de situações de perigo, envolvendo crianças e jovens. Esses alertas chegam-nos por intermédio de cidadãos anónimos e das escolas, onde existe a figura do professor interlocutor para a CPCJA, que trabalha de uma forma mais directa com o professor que representa o Ministério da Educação na CPCJA. Recebemos, também, algumas sinalizações de autoridades policiais, Ministério Público, Segurança Social e Ministério da Saúde (Hospital e Centro de Saúde). SP: Quantas crianças e jovens é que estão, de momento, sinalizados? Qual tem sido a evolução ao longo dos últimos anos? NB: Temos, em média, 110 processos activos, por ano. Já houve mais de 150 processos activos. Neste momento, temos 97 processos activos, o que é um número elevado, atendendo a que estamos praticamente no início do ano. Nestes 97 casos, incluem-se processos transitados do ano anterior, instaurados este ano e outros que foram reabertos.
DESEMPREGO AGRAVA PROBLEMAS
SP: O desemprego continua a crescer. Que perigo daí advém para o agravamento deste tipo de problemas? NB: Infelizmente, o problema do desemprego, agravado pela actual crise, acaba sempre por atingir, de uma forma mais profunda, as famílias vulneráveis. SP: Há, ou não, respostas para isso? NB: Se a Segurança Social tiver uma actuação rápida e direccionada e a Câmara Municipal, através do seu pelouro da acção social, sentir, em profundidade, as dores dos mais carenciados e tiverem respostas imediatas, programas sistematizados e estruturados de intervenção social, o agravamento das dificuldades destas pessoas pode ser atenuado. SP: Há situações de negligência? NB: Neste momento, recebemos, com preocupação, o aumento de sinalização de situações de negligência familiar, maus tratos físicos e psicológicos e comportamentos desviantes. Ver edição SP impressa
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