Lourizela: Associação festejou 10 anos cheia de amor às suas gentes
Mar 05,2009 00:00 by RSP
A serra prolonga-se pelo horizonte, a perder de vista. O cheiro dourado das mimosas, ainda persiste, levado pela brisa primaveril, quando alcançamos a povoação. O último reduto da civilização, plantado nos contrafortes do maciço do Caramulo.

Dúzia e meia de casas, sarapintadas de canteiros floridos, moldadas a xisto e granito, o fundo do lugar, a viela do Bacelo, o rio, ainda selvagem, lá no fundo, num murmúrio longínquo e a floresta a fluir em cascata pela serra abaixo. Uma tela a merecer melhor pintor, que se tem resguardo das investidas do progresso e que é hoje, um tesouro que o povo de Lourizela guarda ciosamente.

Uma oficina de sonhos

“Aos fins de semana, a terra enche-se de curiosos, porque a sua fama já chegou longe”, diz-nos um residente. Durante a semana, ainda resistem cinco ou seis famílias, a enfrentar os rigores da solidão, mas, ao contrário de outras povoações, é nos sábados e nos domingos que Lourizela acorda para a vida, com a chegada de turistas e pessoas que ali construíram casas, que são a grande maioria dos seus habitantes.
Muito do que se fez, do que se preservou e do que se quer fazer, se deve à Associação de Amigos de Lourizela. Uma associação que acaba de completar 10 anos, obrada pelo amor dos seus fundadores, Dionísio Duarte, José Duarte e Raul Bastos. “Foi o amor a esta terra e o desejo de a preservar, que nos levou a isto”, justifica-se José Duarte, com um brilhozinho a soltar-lhe nos olhos.

Sede na escola

A sede da associação é a antiga escola primária, ainda tesa e bem conservada, apesar de já ter largado o ofício, já lá vão uns 40 anos. “Chegou a ter 30 alunos, que vinham do Caselho e de Vale da Égua”, recorda ainda um popular.
Neste domingo, primeiro dia de Março, a velha escola encheu-se de gente (mais de cem amigos), para comemorar as 10 primaveras da Associação. À sua espera, aguardava-as um belo javali no espeto. Um almoço festivo e galhofeiro, que acabou ao som do cavaquinho e acordeão. Uma festa de gente rija, que promete resistir à máquina trituradora da “civilização” e erguer lá bem no alto da serra, o farol da vida e do ambiente.
(Entrevista com Dionísio Duarte na próxima semana)