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Os jovens! Que espera deles a sociedade e a Igreja?
Feb 09,2009 00:00
by
D. António Marcelino
É tempo de os ouvir, conhecer o seu mundo, perceber os seus sonhos e projectos, ter em conta os seus pesadelos e frustrações, integrar a sua esperança, prestar atenção aos dinamismos sociais que os perturbam, reconhecer os valores que carregam, senti-los na verdade do que são, comunicam, propõem e exigem. Muitos têm graus e diplomas, mas não têm trabalho. Por isso vão adiando, por vezes com raiva, e também com desilusão, as suas decisões vitais. Assim se tornam os eternos precários nos mundos mais diversos. Não falta entre eles quem consiga demarcar-se dos obstáculos e romper por caminhos novos de realização, de entrega e de não conformismo. Mas também não faltam os que resvalam para campos de exclusão social, revoltados contra uma sociedade desvirtuada, que não os toma a sério e não lhes dá saídas na vida. Há de tudo no mundo dos jovens e há jovens em todos os mundos desta sociedade, que os apoia, mas não os conhece nem os ama. A fuga de muitos, a indiferença de muitos outros, a permanência de alguns que dizem ser ainda e sempre neste espaço onde melhor respiram, sonham e projectam. Mas não em todo o lado, nem com toda a gente, nem fazendo simplesmente o que os adultos residentes aí fazem ou lhes permitem fazer. Alguém já disse que, em tempos passados, a Igreja perdeu os operários porque não os entendeu, nem entrou nas suas lutas pela justiça. Pela mesma razão, diz-se agora, está perdendo a gente nova sempre que não entra no seu mundo e teima em lhes proporcionar esquemas, que já não se quadram com o mundo de novas possibilidades e horizontes que se lhes foi abrindo e por onde entraram sem regresso. Tudo isto com gente, padres ou leigos, que permanecem novos por dentro, mesmo que o não sejam de idade, mas capazes de fazer caminho sem impor rumos, de empatia solidária, de dar testemunho da libertação interior, que a fé e o seguimento de Jesus Cristo cada dia alimentam. |