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Humor novo, Sócrates e cartas d'amor...
Jan 23,2009 00:00
by
Luisa-Mello
Deixei de ver programas humorísticos portugueses, desde a altura em que o Herman passou de humorista a malcriado compulsivo - vejam lá há que anos! Gosto do Contra-Informação, mas nem sempre coincide com outros meus projectos televisivos. Ultimamente, parece que acertei com um que me faz rir, o “Caia quem caia” dos sábados, na TVI. É aquele humor “curto e grosso”que não passa o risco da ordinarice. No último, em parte de breves entrevistas de rua, a pergunta era: “Acredita mais no Sócrates ou, no Pai-Natal?” Os crentes no Pai-Natal tiveram uma vitória retumbante. O mais engraçado nem foram as respostas, foi a rapidez com que a afirmação saíu da boca dos inquiridos... n Tive oportunidade de encontrar durante as passadas férias de Natal o meu amigo e parente Paulo Sucena, o que é sempre um gosto. No almoço que comemorou os 130 anos deste jornal, enquanto fazia a sua intervenção discursiva, houve um momento em que “se me acendeu” uma lâmpada de 100 wats na cabeça. Referindo-se ao bom Português não falado fez o seguinte aparte: “As proposições são predegulhos na boca dos jornalistas”. Aí estava a boa comparação de que eu há muito tempo andava à procura! É isso! A sua generosidade levou-o a referir-se apenas aos jornalistas, que são eles e não só… Como é que palavrinhas tão pequenas (sobretudo os “de” e os “com”) conseguem fazer tantos estragos numa frase? Ou me engano muito ou, daqui por uns dez anos, terão de se organizar novas gramáticas a oficializar estas asnices, e outras, que de tão vulgares acabarão com a boa sintaxe tradicional... n A propósito: escrever cartas passou a ser obsoleto. - Que linda aquela canção do Tony de Matos, “cartas de amor, quem as não tem?” Tudo ou quase tudo quanto é comunicação escrita se processa por meios electrónicos. Não consigo inserir-me no sistema, mas aceito que seja mais prático, mais rápido e mais eficaz. É a modernidade. As já citadas cartas de amor é que levaram cá um rombo! Não me enganrei muito se considerar que a escrita romântica começou em Portugal com a “Brasileira de Prazins”, de Camilo Castelo Branco. Deve ter terminado com os primeiros telemóveis. Pelo que já consegui pesquisar, uma mensagem (vulgo sms) amorosa de hoje deve ter o encanto, sobretudo fonético, de qualquer coisa como: “Hi blz td bem? Sds qto i lv iú! XX!”. Fôra no tempo em que a idade me permitia cartas de amor, uma missiva desta qualidade far-me-ia imediatamente supôr que o suspirante era pessoa de maus costumes ou, nas melhores das hipóteses, que não fizera sequer a 3ª. classe desse tempo, tinha tendência para o álcool, ou era gago. Ou tudo ao mesmo tempo! De fugir!… Confesso a minha desactualização dos modos modernaços de comunicação, sequer para responder “espera aí uma beca que vou estudar a tua língua!…” |